O “Ser” e o “Morar”… energia e integração…

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Cada vez mais novas descobertas científicas indicam que, de alguma forma, o universo está interligado.

Um dos precursores desta visão holística foi o cientista da Nasa, James Lovelock, em sua Teoria Gaia* em 1969 na qual GAIA* representa a Terra, planeta vivo que é muito mais do que uma coleção de seres vivos e ecossistemas, é uma complexa e transcendente rede de ligações, uma união de seres e fenômenos que produz um todo incomparavelmente maior que a soma das partes.

A filosofia tradicional oriental tem  paralelos interessantes com o novo holismo no ocidente.

Diversas culturas tradicionais do Oriente, como a chinesa e a indiana já estudavam em seus conhecidos “Feng Shui”( Vento–Água) e o “ Vaastu Vidya”, (“ciência do bem morar) a necessidade de integração e harmonização entre o meio ambiente construído, o natural e o ser humano.

*Dagramas Feng Shui e Vaatsu*Dagramas Feng Shui e Vaatsu

 

 

 

 

 

 

 

*Dagramas Feng Shui e Vaatsu

Sem entrar aqui em questões mais amplas, para um texto breve, o fato é que passamos toda uma existência interagindo com nossa casa, apartamento, escritório…ou outro tipo de edificação que habitamos.

Arquitetos Internacionais, como Richard Rogers** e Renzo Piano*, têm fundamentado vários de seus trabalhos arquitetônicos e urbanísticos na questão da sustentabilidade, buscando um equilíbrio entre a sociedade, as cidades e a natureza , através de elementos baseados na participação, na educação e na inovação.

 

Richard rogers

** (Richard Rogers, um dos líderes do movimento High-Tech britânico e Centro Georges Pompidou(França) / Arqs Renzo Piano + Richard Rogers

 

Renzo Piano

* Renzo Piano,  Arquiteto italiano de renome mundial, Prêmio Pritzker (equivalente ao Nobel ou Oscar da arquitetura) em 1998.

Frank Loyd Wright chegava a comparar aspectos de integridade do ser humano , com aspectos de integridade do objeto de construção, numa tentativa de exemplificar o conjunto de forças que o projeto devia conciliar, numa clara alusão à busca de aspectos sensoriais.

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*Arquiteto americano, considerado um dos arquitetos mais importantes do século 20, foi a figura mestra da arquitetura orgânica.

Arquitetos Nacionais, como Lina Bo Bardi*, referenciavam suas obras a conceitos de percepções de ordens psíquicas, emocionais e de contextualização orgânica com o local e a cultura imediata.

Sesc

*Arquiteta, designer, editora, cenógrafa e ilustradora, a italiana naturalizada brasileira, fortemente atuante no movimento moderno e seu  projeto do Sesc Pompeia em SP.

Alvar Aalto* ,também, fez várias referências a determinadas características das qualidades dos objetos construídos, que apesar de não terem percepção visual, eram capazes de outras influências , psíquicas, emocionais e sensíveis como se fossem campos ultravioletas do espectro da cor.

ref

*Arquiteto finlandês, cuja obra é considerada exemplar da vertente orgânica da arquitetura moderna da primeira metade do século XX..

** “Nada é tão perigoso na arquitetura como lidar com problemas separados. Se dividirmos a vida em problemas separados  dividiremos as possibilidades de fazer a boa arte da edificação.”

igreja

A Igreja e o Centro Paroquial em Riola, na Itália, é a última obra religiosa que Aalto se dedica.

Ou seja, somos mais influenciados pela arquitetura de onde moramos do que imaginamos.

Nossos corpos, mente e consciência, de alguma forma interagem grande parte de nossas horas com espaços “criados”, somos influenciados pelo formato de nosso ambiente, pela altura, pela luminosidade, cores, texturas, sons, objetos, aberturas, vistas, mobiliário, circulação interna, temperatura, ventilação, umidade, paisagismo, sem falar nos aspectos externos da habitação e de seu meio

As influências podem ser físicas, emocionais e até “espirituais” ou “inconscientes” se entendermos como influências não diretamente relacionadas com os aspectos sensoriais dos cinco sentidos, as quais várias tradições antigas já se preocupavam.

Sabe aquelas sensações que acabamos manifestando como:  “nossa, que energia maravilhosa que este local possui” ou, ainda, ” estranho, é tudo muito lindo, mas não gostei” e várias outras frases que nós do mercado costumamos ouvir.

Muitas vezes pode ser parte da estranha comunicação entre consciente e inconsciente em um intricado processo holístico de percepções, que muitas vezes não conseguimos racionalizar.

É preciso reconhecer que seu espaço é como um segundo corpo que habitamos e que uma série de influências e interações se fazem presentes.

Portanto, adquirir um imóvel para morar, trabalhar ou apenas ter seu lazer ou mesmo construir e decorar, pode requerer mais do que uma simples verificação de custo x benefício x localização x espaços.

Além de contratar profissionais especializados, respeite sua “intuição”escute e sinta o que ela tem para lhe dizer sobre o local em que vai passar muitas horas de sua vida.

Flavio Erwin Westmann

Arquiteto, Eng. Civil e Consultor Imobiliário para “Serimovel News

 





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