Por um lugar ao sol 10/10/2011 via O Estado de S. Paulo - 09/10/2011 - Gustavo Coltri
[O Estado de S. Paulo - 09/10/2011 - Gustavo Coltri]
Ivy Mantuany Machado, de 34 anos, e Jorge Luiz Talarico Junior, de 32, têm pouco em comum. Ela é auxiliar de prótese dentária e mora em uma unidade popular de 60 metros quadrados em São Caetano do Sul. Ele é advogado e vive em um apartamento de 238 m² na zona sul da capital. Ambos, porém, podem aproveitar as varandas de seus imóveis se quiserem. Antes privilégio de alguns empreendimentos, os terraços hoje são item obrigatório de quase todos os lançamentos no País. “Com a insegurança das ruas, cada vez mais se fica dentro de casa. E a área é um bom motivo para receber os amigos”, diz o advogado, para quem os 38m² de varanda fez diferença na decisão de compra do apartamento onde mora desde o início do ano.
O espaço extra também é motivo de satisfação para Ivy, beneficiada há três meses com um imóvel de três dormitórios da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU): “A luminosidade do lugar fica muito melhor, e posso usar a área como quintal”. Ela aproveita a sacada da sala para estender roupas em um varal de chão. A ampliação do número de edifícios com varanda deve-se à demanda do mercado, na opinião do diretor executivo de incorporação da construtora Even, João Azevedo: “Hoje, esse é um pré-requisito, a diferença é só o tamanho. A sacada passou a ser uma extensão do apartamento. Os imóveis ficaram mais compactos, e o terraço é uma forma de compensar a situação”. Todos os novos empreendimentos da Even têm terraços. Para a diretora da imobiliária Lello Imóveis, Roseli Hernandes, a incorporação de sacadas aos projetos acompanha uma mudança de conceito das unidades verticais: de imóveis grandes com pé direito alto para apartamentos compactos com teto baixo. “É possível saber se o prédio é novo de acordo com a sacada.”
Pequenos. Com até 54 m² de área útil, o empreendimento Oggi Penha, da incorporadora Kallas, tem unidades de dois dormitórios e varandas de 6m². “Reservar de 10% a 15% da área útil para a sacada está bom. Alguns apartamentos com terraços muito grandes acabam interferindo nos outros cômodos”, afirma a diretora de Incorporação da empresa, Tatiana Kallas. No lançamento You Jardim Saúde, a incorporadora You, Inc priorizou a colocação de varandas em unidades de 65m² em detrimento das áreas de serviço. A estratégia parece ter dado certo. “Comprei o apartamento por ter varanda. Na hora quevi, era tudo que eu queria para ler um livro e descansar”, conta a aposentada Rosana de Vincente, de 57 anos. A gestora Mirella Parpinelle, diretora de atendimento da imobiliária Lopes, que comercializa o empreendimento, acredita no aproveitamento máximo da área dos imóveis. “Com tantos serviços, não é preciso gastar ambientes com áreas de serviço”, diz. De acordo com o gerente comercial da You, Inc, Daniel Berrettini, o lançamento de um imóvel sem terraço prejudicaria a liquidez dos imóveis. “Seria um ponto negativo muito forte. Não acho que valeria a pena.”
O apelo das sacadas interfere também na estratégia das imobiliárias. “Normalmente, quando o corretor leva o cliente para mostrar um apartamento, ele encerra pela varanda como grand finale. Essa é a imagem que fica e tem um grande poder de convencimento”, diz o vice-presidente de Avaliações Imobiliárias do Conselho Federal de Corretores de Imóveis (Cofeci), Luiz Barcellos. Os terraços, segundo ele, são tendência em todo o país. Contra a maré, empreendimentos mais populares voltados ao programa Minha Casa, Minha Vida ainda são lançados sem sacada. “Mas 99% de todos os lançamentos têm varanda”, afirma o diretor de marketing da Rossi, Marcelo Dadian. Atualmente, a empresa comercializa em Itaquera e no Itaim Paulista, na zona leste, dois prédios de sua linha econômica com terraços.
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