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Bairro da Liberdade – o Japão em São Paulo

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Foto por Alessandro Shinoda – Folhapress

O bairro da Liberdade, localizado nas redondezas do centro de São Paulo, é o lugar em todo o mundo onde existe a maior concentração de japoneses e seus descendentes fora de seu país natal.

A região possui um forte laço com a cultura oriental e esta característica não acontece por acaso.

No dia 18 de junho é comemorado o dia da imigração japonesa e foi nesta mesma data, porém no início do século XX, que chegavam os primeiros grupos orientais a São Paulo. A vinda dos imigrantes asiáticos tinha o objetivo de fomentar a produção do café e naquele momento um dos principais destinos das 165 famílias que desembarcaram do navio Kasatu Maru era o bairro da Liberdade.

Foi por volta de 1912 que os primeiros japoneses chegaram à Rua Conde Sarzedas em busca de moradia. A região era bastante cogitada, pois os imóveis existentes na redondeza possuíam porões, o que tornava a locação de um quarto no espaço mais barata, além de ser uma localização próxima ao centro da cidade, onde a maioria era contratada para trabalhar.

Com promessas de boas condições de trabalho e grande retorno financeiro, aos poucos a região da Liberdade era mais e mais povoada pela colônia japonesa, porém, se o que foi prometido se tornasse realidade, provavelmente o Brasil seria muito mais japonês do que é.

Após assinar um contrato de prestação de serviço com prazo de cinco anos, os imigrantes japoneses trabalhavam em situações precárias e tinham seu salário reduzido em virtude dos gastos com a viagem, alimentação diária e outros descontos. Estes fatores levaram grande parte dos grupos japoneses a desistir da estadia brasileira e voltar a sua terra natal.

Para não perder a mão de obra os fazendeiros desenvolveram um novo sistema de trabalho, era a chamada “lavoura de parceria”, na qual a terra onde eram plantadas as sementes de café seria tratada pelos japoneses, desde a limpeza inicial até a colheita do produto, após a segunda remessa de café eles receberiam o lucro da primeira safra. A partir destes ganhos os japoneses começaram a enxergar crescimento e passaram a participar do desenvolvimento do bairro da Liberdade.

Após 20 anos, por volta de 1932, o número de japoneses no bairro ultrapassava a faixa de 2000 habitantes e o espaço que inicialmente se restringia à Rua Conde Sarzedas se estendeu para a Rua Irmã Simpliciana, Rua Tabatinguera, Rua Conde do Pinhal, Rua Conselheiro Furtado, Rua dos Estudantes e a antiga Rua Tomás de Lima, hoje conhecida como Rua Mituto Mizumoto.

Além de abrigo, a colônia japonesa desenvolveu e incentivou o crescimento comercial, pela região já era possível encontrar hotéis japoneses, comprar mantimentos em pequenos empórios e saborear receitas da culinária oriental, como o famoso queijo tofu e o doce manju.

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Foto por Caio Pimenta – SP Turis

Com novas oportunidades, a vontade, ou necessidade, de voltar para o Japão foi ficando em segundo plano e a cada dia que passava o bairro se tornava um pouco mais culturalmente japonês. Além dos restaurantes e estabelecimentos que já funcionavam no bairro a indústria do entretenimento também abriu as portas e foi instalado o primeiro cinema japonês do distrito, o Cine Niterói.

O Cine Niterói ficava localizado na Rua Galvão Bueno, era um prédio onde funcionavam diversos tipos de estabelecimentos, restaurantes, hotel, salão de beleza, entre outros tipos de comércio. O desenvolvimento deste prédio movimentou a rua, que logo teve seus imóveis comprados ou locados por antigos e novos grupos de japoneses que chegavam a São Paulo.

Além do Cine Niterói, o bairro da Liberdade foi contemplado com mais 3 cinemas que apresentavam filmes orientais: o Cine Nippon, na Rua Santa Luzia, onde é hoje a Associação Aichi do Brasil, o Cine Tokyo, na Rua São Joaquim, atualmente onde se situa uma igreja, e o Cine Jóia, que foi restaurado pelo renomado empresário da noite paulistana, Facundo Guerra, e atualmente funciona como uma casa de shows, ainda na Praça Carlos Gomes.

Outro importante estabelecimento que existe até os dias de hoje no bairro é a Livraria Sol, localizada na Praça da Liberdade, 153,em frente a estação de metrô Liberdade. Desde 1947 esta livraria importa revistas, mangás, discos e obviamente livros diretos do Japão. Até os dias de hoje a casa comercial atrai visitantes e admiradores da cultura japonesa que encontram ali produtos que não comprariam em nenhum outro local no Brasil.

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Foto por Gabriel Inamine

Atualmente existem cerca de 1,5 milhões de japoneses em todo o Brasil, sendo 13% issei, nascidos no Japão, 31% nissei, filhos de japoneses, 41% sansei, netos de japoneses e 13% yonsei, bisnetos de japoneses. Deste total, 1 milhão vive no estado de São Paulo e cerca de 400 mil se encontram na Liberdade.

Uma característica comum do bairro é a presença de karaokês, estabelecimentos tradicionais vindos para o Brasil por volta da década de 70, que auxiliou para introduzir ainda mais a cultura japonesa, uma vez que soltar a voz em um karaokê é uma prática levada a sério no Japão. No país era comum que existissem competições das quais os vencedores chegavam até a gravar CD’s e conquistar reconhecimento em sua região.

Karaokê Chopperia Liberdade

Foto por Bares SP

Quem gosta de soltar a voz ou pretende fazer um passeio diferente pode visitar as inúmeras opções presentes no bairro, entre elas a mais conhecida é a Chopperia Liberdade, situada na Rua da Glória. A casa é freqüentada por um grande e diversificado volume de pessoas todos os fins de semana, além do karaokê, o local possui mesa de sinuca e serve petiscos variados.

Se você gostou da proposta, mas não se sente a vontade para soltar a voz em público, vale a pena conhecer o Karaokê Box Porque Sim, que fica na Rua Tomás Gonzaga, são pequenas salas com isolamento acústico onde você pode reunir um grupo de poucos amigos para se divertir. A proposta de um espaço reservado é similar ao do Girassol Karaokê, que fica na Avenida da Liberdade.

Apesar de conhecida por abrigar apenas japoneses, também existe uma grande concentração de chineses e coreanos, o que caracteriza a região como um bairro oriental. Seu estilo, seus bares, seus restaurantes e até a decoração da rua é propícia para a concentração destes grupos, é uma forma para que se sintam em casa, independente das condições adversas que o Brasil tem a oferecer em relação ao Japão.

Repleto de mercearias, bazares, lojas e mercadinhos, quem mora na Liberdade sente um pouco do Japão dentro de São Paulo, além de encontrar diversas opções de produtos japoneses e importados em geral, que vão desde acessórios para decoração até farinhas, grãos e alimentos característicos da cultura japonesa. Na Liberdade também acontece a tradicional feira artesanal aos domingos e eventos específicos, como o que ocorrerá em todo o mês de junho, em virtude da comemoração ao dia nacional da imigração japonesa.

Você também pode conhecer a famosa Feira da Liberdade, um dos principais cartões postais do bairro:

Feira da Liberdade

Data: Todos os sábados e domingos

Horário: 8h às 18h

Local: Praça da Liberdade

Carlos Unger

Uma mistura de Publicidade, Marketing Digital, SEO, Social Media e café.

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1 Comment

  1. […] A Liberdade é o bairro com a maior concentração de japoneses fora do Japão. Vale muito a pena você conhecer mais sobre o Bairro da Liberdade. […]

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